quarta-feira, 15 de julho de 2009

Manifesto Antinerd

A figura do homem-bom para a sociedade mudou, conforme o tempo. O que antigamente tinha relação com força física e habilidade de sobrevivência, hoje tem a ver com inteligência e virtude, em detrimento de qualquer outra fraqueza que o sujeito apresente. Mais ou menos assim, a mídia hoje sugere que os bonitões e festeiros vão perder seu posto de machos-alfa para os nerds. Esse fato é uma alusão grosseira ao conceito de transvaloração proposto por Nietzsche(sobre o qual eu já escrevi).

Sob o meu ponto de vista, toda essa recente idolatria aos nerds é pura babaquice, jogada de marketing da indústria cultural para vender as novas produções da TV, música, e cinema que antes não tinham espaço. A prova é o enlatado The Big-Bang Theory, que narra o cotidiano de uma grupo de acadêmicos nerds. A maioria das piadas que envolvem ciência, no seriado, só fazem rir porque os espectadores não entendem, e por causa dos 'sacos de risadas'. O velho pastiche continua ali, só que os nerds aderiram, porque se identificam com a imagem na tela. Nada a declarar.

Aquela história de que o Bill Gates visitou escolas americanas dizendo que nerds serão patrões é, muito provavelmente, mais um hoax. A verdade é que, embora haja engenheiros e programadores nerds, eles nem sempre se destacam. O fato de que você gosta de computadores, cultura pop e já sabia derivar aos 10 anos de idade não te torna mais hábil que os outros. Os patrões sempre foram, e sempre continuarão sendo, pessoas que souberam se aproveitar de socialização, tráfego de influências, e um pouquinho de talento/visão. De que adiantam sem óculos de aro grosso e seu Macbook Air se você não souber ser malandro de vez em quando?

Garota, não escolha já o seu nerd, ou escolha. Instale o linux no seu computador, ou não.
Os geeks existem, e a mesclagem do mundo virtual com o real, facilitou a entrada deles na sociedade considerada 'normal'. Ainda assim, eles não são nenhum motivo de idolatria.

Mesmo que eu tenha alguma raiz nerd.
 
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